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Review e medições do iFi Go Link - O básico (muito) bem feito!

  • Foto do escritor: Moreno Addad Hassem
    Moreno Addad Hassem
  • há 3 dias
  • 9 min de leitura

Fala Galera, tudo bem com vocês? Neste artigo vamos analisar e ver as medições de um dongle de uma marca bastante estabelecida no mercado pela qualidade de seus equipamentos. Trata-se do iFi Go Link, a solução de entrada da iFi Audio que traz o approach dongle convencional, cabo trançado, mas emprega construção premium, em magnésio. Ele promete entregar a sonoridade da marca em um formato que praticamente desaparece no bolso, mas será que consegue? Bora conferir!


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Apresentação - iFi Go Link


A iFi Audio dispensa apresentações para quem já está no hobby há algum tempo. A marca britânica é conhecida por suas tecnologias proprietárias e por manter vivo o uso de componentes que muitos consideram "clássicos", como os chips Burr-Brown. Eles possuem linhas famosas como a "Zen" para desktop e a "Go" para ultraportáteis.


Dentro da linha Go, temos o Go Bar, que é um super-dongle topo de linha da marca (e bem mais caro), e o Go Blu, que foca na conectividade Bluetooth.


O Go Link é a proposta da iFi para o segmento de entrada. Ele é o dongle mais simples e acessível do catálogo, focado puramente em portabilidade e na promessa de entregar o "som da iFi" para quem quer dar o primeiro passo além da saída de fone padrão do celular ou para quem sofre com os adaptadores genéricos que vivem quebrando. Vamos explorar como ele se sai a seguir.


Unboxing e acessórios


O unboxing do iFi Go Link segue a filosofia minimalista da linha, mas com uma surpresa muito positiva para a categoria. Na caixa, além do dongle em si, a iFi foi muito generosa e incluiu um conjunto de adaptadores completo: temos o adaptador de USB-C para USB-A e, o que é mais raro de ver em produtos de entrada, um adaptador Lightning para iPhone.



Geralmente, as marcas cobram caro por esse adaptador à parte ou lançam versões específicas para iOS, então ver esse kit "completo" logo de cara é um ponto muito positivo. Senti falta apenas de uma pequena case de transporte, algo que ajudaria a proteger o cabo trançado dentro de umamochila, mas pelo preço e pelos adaptadores inclusos, o pacote é bem honesto.


Construção, conexões e design


O iFi Go Link aposta em uma construção em liga de magnésio, o que confere ao produto leveza e, ao mesmo tempo, uma sensação de robustez e sofisticação que geralmente só encontramos em dongles mais caros ou nos super dongles. O diferencial aqui é que o design simples, mas bem resolvido, faz bom uso dos materiais e entrega percepção de alta qualidade.


Diferente dos super dongles que avaliamos até então, o Go Link é um dongle tradicional. Isto significa que o conector de áudio digital - padrão USB-C - é preso ao corpo por um cabo fixo - composto por fios trançados e banhados a prata - soldado ao corpo principal.


Confesso que não sou fã de cabos fixos em produtos móveis. Eles são, inevitavelmente, o maior ponto de falha desse tipo de dispositivo a longo prazo. Quando o cabo quebrar, você perde o aparelho. Para mitigar este ponto a iFi tornou o cabo bastante flexível e incluiu alívio de tensão deste, que são as pequenas peças plásticas que seguram o cabo de cada lado onde ele é conectado. Se você tem alguma experiência de longo prazo com o Go Link e seu cabo ainda está inteiro, deixa um comentário pra gente contando!


No corpo principal, temos apenas a saída de áudio de 3.5mm Single-Ended. Para ter uma saída 4.4mm é preciso investir mais e comprar o irmão mais caro do Go Link, o Go Link Max. Não há botões físicos de volume; a iFi optou por um controle de volume por hardware que é sincronizado com o sistema operacional, garantindo que você não perca resolução de bits ao baixar o som no Windows ou Android. Um pequeno LED circular na frente muda de cor para indicar o formato do arquivo (PCM, DSD ou MQA), mantendo o visual limpo e funcional.



Por dentro, o coração do Go Link é o chip ESS Sabre ES9219MQ/Q. Trata-se de um DAC mais antigo da ESS, que suporta a extinta tecnologia MQA. O foco desta linha de DACs é a integração elevada, pois diversos componentes externos como reguladores de tensão e amplificadores de saída são incluídos diretamente no chip. Com isto o design da placa fica mais limpo e o produto final mais barato - sem sacrifício da qualidade da conversão do DAC. Obviamente há limitações, mas estas normalmente envolvem uma menor potência de saída que em outras implementações com chip dedicado.


Especificações e recursos


De acordo com o site da iFi, seguem abaixo as especificações principais do Go Link:

Spec

3.5mm Single-Ended

Output Power

≥1.5V/70mW @ 32Ω; 2V/14mW @ 300Ω

THD+N

≤ 0.004% (1.27V @ 32Ω)

SNR

≥125dBA

Output Impedance

< 0.4Ω

Power Consumption

No Signal ~0.2W

Max Signal ~1W

O Go Link segue uma filosofia de simplicidade e foco. Ele é um dispositivo plug-and-play, sem controles externos ou um aplicativo dedicado para ajustes de equalização ou filtros. Vamos aos principais recursos:


  • Tecnologia S-Balanced: Este é um dos pilares da iFi, trata-se de uma técnica de distribuição e roteamento dos sinais de áudio no circuito que minimiza ruído, distorção e cross-talk.

  • Controle de Volume por Hardware:  Diferente de alguns adaptadores que optam por deixar o DAC em máximo volume e dependem do controle de volume digital do sistema operacional - o que pode reduzir a resolução do áudio - o Go Link sincroniza a troca de volume do seu dispositivo para atuar diretamente no chip DAC;

  • Filtros via Firmware: A ausência de um software de controle significa que qualquer mudança de comportamento, como a troca de filtros digitais (GTO Filter, por exemplo), precisa ser feita através de atualizações de firmware via PC.


A nota técnica oficial da iFi que detalha o S-Balanced tem uma linguagem bastante peculiar. Nesta nota eles detalham a mentalidade por trás da técnica, mas não deixa claro como isso foi implementado na saída single-ended. Eu particularmente não acredito que neste produto esta tecnologia traga qualquer benefício que um bom layout de circuito impresso já não trouxesse.


Acredito que o grande trunfo do Go Link aqui é a transparência. Ao abrir mão de um ecossistema de software, a iFi simplifica o produto e torna ele mais acessível ao usuário. Reduz a conta de suporte de uma aplicação para Android e iOS. É uma escolha interessante para um produto nesse ponto, especialmente considerando que este é um produto que não possui ganho configurável.


No entanto, essa omissão traz a necessidades de alguns puxões de orelha. O primeiro é justamente para o ponto do paragrafo anterior. Não ter o ganho configurável torna o produto um pouco dificil de gerenciar se você alterna entre fones de alta e baixa sensibilidade/impedância. Para alguns casos o volume mais baixo acaba ficando bem alto. Nada que não tenha dado pra gerenciar, no entanto.


O outro ponto de atenção é o mecanismo que a iFi usou para seleção dos filtros no ES9219. Ter que "flashar" um firmware para mudar a resposta do filtro digital é um processo pouco intuitivo para o usuário final. No entanto, ninguem está obrigando o usuário a trocar estes filtros, é uma opção que está lá para quem quiser. Eu mesmo não troco de filtro nem quando a opção é facil.


Medidas


Chegou a hora de conferirmos as medidas do iFi GoLink e ver se ele de fato entrega o que está na especificação. Primeiro vamos observar a potência por impedância.



A potência em 32 ohms é de aproximadamente 84mW, cerca de 20% maior do que o divulgado pela iFi, o que é uma ótima surpresa. Em 300 ohms, entregamos cerca de 13-14mW, cravado em cima da especificação oficial. A potência máxima, no entanto, surge em impedâncias mais baixas — entre 12 e 16 ohms — onde o Go Link chega a superar os 100mW!


No entanto, fica aqui um aviso importante: eu não recomendo o uso deste dongle com fones de impedância inferior a 16 ohms. Durante as minhas medições nessas cargas mais baixas, a minha unidade apresentou problemas de corte no sinal (clipping/shutdown de proteção). Portanto, embora ele tenha corrente para entregar, o circuito parece trabalhar no limite da estabilidade nessas condições extremas.


Vamos agora ao resultado de distorção, observando a THD medida.



Nenhuma surpresa no gráfico, perfeitamente normal para este tipo de produto, vemos claramente a fundamental em 1kHz, seguidas pelas harmônicas em 2, 3, 4kHz em diante. Para facilitar a comparação, vamos contrapor valores medidos e divulgados na tabela abaixo.

Spec

Valor divulgado

Valor medido

THD+N

≤ 0.004% (1.27V @ 32Ω)

0.00089 % (1.41V @ 33Ω)

SNR

≥125dBA

107.8dB

Novamente uma surpresa positiva, já que o GoLink apresenta THD+N melhor do que o originalmente divulgado. A SNR, apesar de inferior ao divulgado, está num valor já muito acima do aceitável para audição humana. Procurei medir a THD+N em um patamar similar ao da iFi, ajustando a -3dB do fundo de escala, o que me deu por volta de 1.41V. Descer mais o sinal não melhorou a THD+N nas minhas medidas.


Na resposta de multitone abaixo, nenhuma surpresa. Há um ligeiro aumento na intermodulação em frequencias maiores, mas tudo muito abaixo dos patamares da audição humana.


No teste de cross-talk também sem surpresas, com números padrão para este tipo de produto.


O gráfico de intermodulação sem surpreas, inclusive mostrando a "barriga" que os DACs da ESS tem a partir de -50dBFS de entrada no gerador.



No geral temos boas medidas de áudio, o que esta esperado para um DAC de alto desempenho da ESS. Vamos falar agora do consumo de energia, ponto importante, pois o Go Link vai frequentemente ser utilizado para melhorar a experiência de áudio em celulares e tablets.


Abaixo temos o consumo em 3 situações, em idle (sem tocar nada), entregando a potência máxima em 33 ohms e entregando a potência máxima que medimos.



Temos ai números comparáveis a de outros dongles em saídas 3.5mm e potências de saída parecidas. Portanto, este dongle é econômico o suficiente para competir no seu segmento. A potência sem sinal é cerca de 0.35W - relativamente próxima aos 0.2W divulgados. Em momento algum conseguimos chegar perto dos 1W de potência máxima.


A titulo de curiosidade - ao plugar em um dispositivo móvel como celular ou tablet, descobri um modo de economia de energia que derruba a corrente para aproximadamente 24mA. Isto pode ajudar quando você não está com o dispositivo em uso mas deixou o dongle plugado por praticidade.



Como comentário geral, o Go Link tem bons números objetivos, o que é esperado de um fabricante como a iFi, mas sempre bom de constatar na faixa de preço dele.


Experiência pessoal


Vamos falar agora da experiência pessoal. Os fones de teste foram os suspeitos de sempre:


  • Moondrop LAN;

  • Unique Melody Mest Mk. 2;

  • Hifiman HE400SE;

  • Sennheiser HD800;


Com estes 4 eu sempre cubro um grande espectro de referências. A playlist já deve ser conhecida de vocês de outros reviews. Para acessá-la no Spotify basta clicar aqui.


No PC, o Go Link dispôs de potência suficiente para tocar todos os fones. Como era de se esperar, não houve qualquer problema com os in-ears, mesmo com o Mest e sua coleção de drivers. Já nos fones over, o HE400SE tocou com sobra, o que mostra que os novos dongles estão evoluindo e lidando com fones mais exigentes - em breve precisaremos de referências mais difíceis de tocar para nossos testes. Curiosamente, o HD800 foi o que necessitou de mais volume entre os fones testados para tocar legal. Provavelmente por conta da impedância mais alta, na qual o Go Link tem menos potência disponível.


Um ponto estranho é que usando o Go Link com iPhone e iPad eu notei uma severa limitação no volume disponível para HD800 e HE400SE. Os fones possuem volume suficiente para ouvir legal apenas quando chegamos perto do fim da escala. Ao monitorar a corrente, notei que ela raramente excedia os 70-80mA. Isto está abaixo dos valores observados nas medidas e no PC, então há algum gerenciamento diferente sendo aplicado aqui. É algo para se ter em mente, especialmente considerando que é um dongle focado em dispositivos móveis.


Com respeito a colorações do som, muito se fala sobre a assinatura da iFi que é famosa por usar os DACs Burr-Brown. No Go Link, como foi usado um chip da ESS, a pergunta é se este produto se encaixa sonoramente junto com os demais da marca. Como eu particularmente escuto muito pouca diferença entre os diferentes DACs, você já deve imaginar o que eu vou dizer no próximo parágrafo.


E se você imaginava que eu ia dizer Go Link é bastante neutro e respeita o audio original - reproduzindo fielmente o que está no material de origem - acertou! Para validar isto além das medições, fiz uma comparação A/B - inicialmente com o K11 R2R aqui na mesa e depois com o Snowsky Melody que resenhei há algum tempo. Confesso que a maior dificuldade do A/B foi chavear os sinais a tempo de comparar efetivamente os sinais. Com o volume em pé de igualdade, o Go Link entregou a mesma resposta neutra dos outros dois equipamentos. Tudo dentro do esperado.


Importante trazer aqui uma explicação sobre os formatos de áudio exóticos como DSD e MQA - já que eu nunca menciono eles em meus reviews. O DSD para mim tem relevância baixa, já que trata-se de um formato bastante incomodo de tocar nativamente - requerendo players e conteúdo especial. Já o MQA está fora de jogo há muito tempo, perdendo qualquer apelo. Portanto, não são formatos que vamos abordar em nossas análises.


Fechando a análise subjetiva, o Go Link foi tranquilo de usar e viveu de acordo com sua premissa plug and play. Entregou qualidade, mas precisa de atenção a potenciais limitações de volume em dispositivos móveis.


Conclusão


Após medir e viver um tempo com o Go Link, fico feliz em recomendá-lo como um bom produto. É um dispositivo bem projetado e que entrega um resultado sonoro honesto - seja em medições ou no teste do dia a dia. Existem pontos que não me deixam feliz, como o o cabo trançado, que parece bastante frágil. No entanto, pelo preço trata-se de uma escolha honesta para adicionar uma saída 3.5mm em um dispositivo que não a possui.


Pontos positivos


  • Potência compatível com o segmento;

  • Medidas melhores do que o divulgado;

  • Design limpo e sem frescura;

  • Som neutro;

  • Baixo consumo de energia;


Pontos de atenção


  • LED de indicação inútil se voce não ouve DSD ou MQA;

  • Cabo trançado parece frágil;


E ai o que achou do Go Link? Deixe seu comentário! Até a próxima!


1 comentário

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Antonio Setz
há 2 dias
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente review, Moreno. Parece mesmo um bom produto. Concordo que o ponto fraco é o cabo, apesar dos aliviadores de tensão. Um cabo removível, como no FiiO Snowsky Melody, seria melhor. Seria interessante verificar se a limitação de potência ocorre também em dispositivos Android. Qual você escolheria entre o iFi Go Link e o FiiO Snowsky Melody?

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